Restrições da alergia alimentar… será?

A descoberta de uma alergia alimentar (AA) sempre cai como uma bomba sobre as famílias afetadas. Para as mães, o diagnóstico tem diversas implicações e, sem dúvidas, a maior delas está relacionada ao preparo de alimentos. Em geral, é preciso reaprender a cozinhar.

As restrições alimentares dos nossos pequenos impedem a utilização de diversos ingredientes corriqueiros, com os quais a maioria de nós está acostumada. O processo de “reaprendizado” pode ser mais ou menos difícil, dependendo do número de restrições, da sensibilidade da criança e dos dotes culinários prévios. Acabamos também nos sentido muito restritas.

Mas, te convido a encarar esse processo com leveza. Quer tentar?

Vamos tomar como exemplo a da alimentação da nossa família antes da AA. Pense nos produtos caseiros e também nos processados que você está acostumada a utilizar. Se você colocar tudo no papel, vai ver que a alimentação básica é, de maneira geral, restrita a alguns poucos ingredientes como leite de vaca, ovos e trigo. Dificilmente sem a AA nós buscamos outras opções e baseamos, sem querer, a dieta em uma lista restrita de ingredientes. Isso acaba refletindo em uma monotonia de nutrientes que são apresentados todos os dias ao nosso organismo.

Quando restringimos um alérgeno alimentar, somos obrigadas a testar alternativas. Ao invés do leite de vaca usamos bebidas vegetais das mais diversas: coco, arroz, amêndoas, inhame. Ao invés de ovos, tentaremos linhaça, chia, purê de maçã. Ao invés de trigo, buscaremos féculas e polvilhos, farinhas de arroz, de grão-de-bico ou de painço.

Perceba que, contraditoriamente, com a restrição ampliamos a lista de ingredientes que iremos utilizar e com isso, promovemos um maior acesso do organismo a nutrientes diferentes.

Já parou para pensar dessa forma? Não? Pois bem, convido-a a pensar assim, leve. A carga sobre os nossos ombros é aliviada quando conseguimos enxergar o que as mudanças trazem de positivo nas nossas vidas.

Heloíze Milano, Mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo e Especialista em Biotecnologia pela Universidade Federal de Lavras. Bióloga de formação e atuação, é mãe da Carmen e do Angelo e se interessa em trocar experiências com outras mães que buscam uma maternidade consciente.

4 comentários sobre “Restrições da alergia alimentar… será?

  1. Luciana Cini disse:

    Adequar receitas não é a minha dificuldade. A minha filha, Sophia de 6 anos, Aplv, ovo, soja, banana, peixe, frutos do mar, sulfitos tem vontade dos alimentos que os amiguinhos consomem, pelo marketing, por ex.., iogurte do Frozen, bolinho do Pooh.
    É muito difícil conviver com esse problema!

  2. Carla Maia disse:

    Sinta-se abraçada, Martha! No início de todo novo processo é sempre difícil, mas com o tempo, vamos nos adaptando e vivendo melhor do que antes. Descobrindo novos alimentos, mais saudáveis e gostosos também! Conte com o nosso apoio nesse novo desafio! Com apoio podemos perceber que não estamos sozinhos, mas sim juntos em busca de um caminho mais ameno nessa estrada de convivência com as restrições alimentares. 🙂

  3. marthapearl disse:

    Sou celíaca e diabética tipo I há 27 anos a doença celíaca apareceu faz 9 meses e confesso que com as restrições alimentares atuais estou meio perdida e sem ânimo algum, afinal, sem açúcar já era difícil agora sem pão ficou pior ainda. Desculpe . bjo e obrigada pelas receitas e apoio.

  4. ÉRICA ORZIL VIANA disse:

    Exatamente assim Heloíze ! Primeiro vem a fase do susto, depois da aceitação e em seguida: a terapia na cozinha !!! Já passei por essa fase com o leite e soja ! Um prazer imenso cozinhar e ver a carinha de alegria dos pequenos dizendo: papai olhe o que a mamãe fez!
    Agora …sigo com o apoio sempre carinhoso de vocês em busca do aprendizado sem trigo e outras coisinhas … !
    Tenho um tempinho ainda ….e a sorte grande de encontrar muito apoio !
    Abraço carinhoso meninas !

    Érica Orzil (mãe do João e Letícia )

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