Atuação do Nutricionista no contexto das Alergias Alimentares

Ainda não se descobriu a cura para as alergias em geral. A orientação dada pelos profissionais de saúde é que o alérgeno seja excluído do seu convívio, sem maiores explicações sobre onde estes podem ser encontrados. Nesses casos, o alimento causador das reações realmente deve ser evitado. Além dos alimentos que contam com a presença física do alimento em questão ainda há a possibilidade da ocorrência de uma contaminação cruzada.

No início parece fácil, mas o desespero começa a “bater” quando você descobre que o leite e a soja estão em grande parte dos produtos encontrados nas prateleiras dos supermercados como ingrediente ou ainda como “traço”. Muitas vezes essa descoberta é feita quando a mãe que amamenta ou a criança alérgica consomem o produto e acontecem reações alérgicas. Para ficar mais complicado, ainda não existe uma legislação nacional que obrigue que a presença de um alérgeno, mesmo como traço, esteja clara nos rótulos.

Diante de todo esse cenário muitas perguntas passam pela cabeça da grande maioria das mães e famílias… E agora? O que eu vou comer? O que meu filho vai comer?

A partir daí começa uma série de restrições que podem comprometer inicialmente o estado nutricional e depois outros sistemas da mãe e sobretudo do bebê, que está em fase de crescimento e desenvolvimento. Quando se restringe o leite pode faltar proteína e cálcio na dieta, por exemplo. Quando a restrição é ao leite, ovo, carne vermelha pode faltar zinco, vitamina A, além dos nutrientes já citados e quanto maiores as restrições, maior o risco de desenvolvimento de carências nutricionais.

O nutricionista é o profissional habilitado por lei para prestar assistência dietoterápica prescrevendo, planejando, analisando, supervisionando e avaliando dietas para enfermos, sendo estas atividades privativas da profissão. Ter um nutricionista experiente no campo das alergias alimentares realizando o acompanhamento nutricional, que valorize a história da doença, que ajude na identificação os possíveis causadores de reações, esteja disponível para sanar dúvidas e oferecer apoio durante essa jornada será muito valioso e a caminhada mais leve.

O acompanhamento deve ter como objetivo manter ou recuperar o estado nutricional, sem esquecer do suprimento adequado de micronutrientes (vitaminas e minerais), e garantir um adequado crescimento e desenvolvimento da criança através de uma alimentação segura do ponto de vista nutricional, microbiológico e de se evitar reações alérgicas. Para isso orientação sobre composição dos alimentos, leitura de rótulos, compartilhamento de utensílios, substitutos dos alérgenos em receitas e preparações adequadas e seguras devem fazer parte da rotina quando do atendimento desse público.

Liana Macêdo. Nutricionista, mestre em ciências da saúde, administradora da fanpage APLV – Alergia a Proteína do Leite de Vaca, mãe de uma criança ex-aplv e soja, nutricionista da secretaria de saúde do estado de Roraima onde desenvolve projetos voltados à assistência nutricional de pessoas com necessidades alimentares especiais.

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